Saltar para o conteúdo

Cancoillotte: o queijo para gratin com menos calorias

Mãos a retirar lasanha fumegante de uma tigela branca numa bancada de cozinha com queijo e ralador.

Quem adora gratinados conhece bem o dilema: muito queijo é sinónimo de prazer, mas também costuma significar muitas calorias. Sobretudo quando entram em cena opções populares como a mozzarella ou queijos curados mais intensos, um prato aparentemente inocente de legumes ou massa pode transformar-se rapidamente numa pequena “bomba” energética. Ainda assim, um queijo discreto do leste de França prova que há alternativa - e que um gratin cremoso não tem de ser pesado.

Porque é que o queijo clássico de gratinar pesa tanto na balança

Num gratinado, os olhos vão quase sempre primeiro para a crosta: uma camada generosa de queijo, bem dourada, e por baixo batatas, massa ou legumes. Parece comida caseira reconfortante, mas, na prática, tende a ter mais energia do que muita gente imagina.

A explicação está no próprio queijo. Variedades como Comté ou Beaufort - tal como muitos outros queijos curados e de pasta semidura - ficam frequentemente na faixa das 380 a 420 quilocalorias por 100 gramas. Como passam por uma maturação longa, perdem bastante água. O que sobra é um “concentrado” nutricional: muita gordura, muita proteína e uma densidade energética elevada.

Quando se espalha uma boa mão-cheia por cima de rodelas de batata, brócolos ou massa, as calorias acumulam-se no prato. Mesmo que o prato base - por exemplo, um gratinado de legumes - tenha sido pensado para ser leve, o queijo acaba por elevar o total final.

Com queijos frescos e opções mais macias, a conta tende a ser um pouco mais favorável, porque retêm mais água. Por isso, a mozzarella já fica de forma visível abaixo dos curados típicos. Ainda assim, se o objectivo for cozinhar de forma mais leve, este topping tão querido continua a ser mais energético do que o necessário.

"Se quer reduzir num gratin, não precisa de abdicar do queijo - precisa é de escolher a variedade de forma estratégica."

O “emagrecimento” inesperado entre os queijos

O trunfo discreto para gratinados mais leves chama-se Cancoillotte. Em Portugal (e também fora de França) esta especialidade da região de Franche-Comté ainda não é muito conhecida, mas no leste francês está presente em muitas mesas - muitas vezes servida quente e em estado líquido.

A Cancoillotte é feita a partir de leite magro, transformado primeiro num queijo-base firme. Depois, esse queijo é novamente fundido com água e um pouco de gordura, até ganhar uma textura que se pode barrar e verter. O resultado é um queijo extremamente cremoso, quase fluido, com sabor intenso e ligeiramente picante, mas com um teor energético muito baixo.

Com cerca de 130 quilocalorias por 100 gramas, a Cancoillotte fica sensivelmente a metade de muitas mozzarellas e muito abaixo da maioria dos queijos curados. Ao mesmo tempo, sabe muito mais a “queijo” do que vários produtos light, que muitas vezes acabam por parecer aguados ou com textura elástica.

  • ca. 130 kcal / 100 g – Cancoillotte
  • ca. 250–280 kcal / 100 g – Mozzarella (leite de vaca)
  • ca. 380–420 kcal / 100 g – queijos curados típicos como Comté ou Beaufort

No frigorífico, um frasco ou copo de Cancoillotte ocupa pouco espaço, mas dá para muitas utilizações: como molho, como cobertura ou até como ingrediente “secreto” em gratinados e salteados de legumes.

Como fazer um gratin bem mais leve com Cancoillotte

Quem está habituado a molhos com natas e a camadas espessas de queijo pode trocar para a Cancoillotte com relativa facilidade, sem precisar de reinventar a receita de família.

Base cremosa em vez de natas e queijo ralado

Uma forma simples é substituir a combinação clássica de natas + queijo ralado por uma mistura de Cancoillotte e leite. Basta aquecer o queijo num tacho pequeno, em lume brando, e ir juntando leite aos poucos, mexendo, até obter um molho liso e ligeiramente espesso.

Este molho funciona em várias versões:

  • rodelas de batata sobrepostas para um gratin de batata mais leve
  • legumes pré-cozinhados como brócolos, couve-flor ou curgete
  • massa que sobrou do dia anterior, para “reciclar” no forno

A mistura envolve os ingredientes, mantém a suculência e dá sabor a queijo, mas com muito menos calorias do que natas com queijo curado.

Uma camada fina para uma crosta dourada

Se não quer prescindir de um topo tostado, pode espalhar por cima do prato uma camada muito fina de Cancoillotte. No forno, o queijo derrete rapidamente, doura com facilidade e cria uma crosta apetecível - sem exigir grandes quantidades.

Resulta particularmente bem em:

  • gratinados de legumes com curgete ou beringela
  • gratin de couve-flor ou brócolos com uma base leve de leite
  • gnocchi ou massa gratinada com molho de tomate

"Bastam poucas colheres de Cancoillotte para criar o ‘efeito queijo de forno’ de que tanta gente gosta."

Para quem é que esta troca de queijo compensa mais

Optar por Cancoillotte pode interessar a perfis diferentes. Quem está a controlar o peso consegue, com uma troca simples, baixar a densidade energética de uma refeição inteira. Em famílias onde os gratinados aparecem com frequência à mesa, esta mudança pode reduzir, ao longo do tempo, o consumo total de calorias - sem abdicar do prato preferido.

Também é útil para quem gosta de jantar quente, mas não quer deitar-se com sensação de peso. Um prato de legumes gratinado com Cancoillotte sacia de forma agradável e tende a ser mais leve do que um gratin clássico de batata com muitas natas e queijo de montanha.

Dicas práticas para o dia-a-dia com este queijo leve

À venda, a Cancoillotte costuma surgir em frascos ou pequenos copos de porções, por vezes com diferentes sabores. Para começar, chega uma versão simples ou ligeiramente salgada, mais fácil de combinar.

  • Guardar no frigorífico e consumir rapidamente após abrir.
  • Mexer antes de usar, porque o líquido pode separar-se.
  • Derreter em lume brando para evitar que talhe ou agarre ao fundo.
  • Aromatizar depressa com ervas, alho ou pimenta.

Se não conseguir encontrar Cancoillotte, dá para seguir a mesma lógica: um queijo com menos gordura e boa capacidade de derreter, transformado em molho com um pouco de líquido, pode substituir a dupla natas + queijo. Versões mais leves de queijo fresco ou quark, misturadas com leite e uma pequena quantidade de um queijo curado mais intenso, vão numa direcção semelhante - embora, na maioria dos casos, não atinjam os valores da Cancoillotte.

O que significa, na prática, “menos calorias”

A grande vantagem da Cancoillotte está na gordura. Menos gordura por 100 gramas significa automaticamente menos calorias, porque a gordura fornece nove quilocalorias por grama - bastante mais energia do que hidratos de carbono ou proteína. Ao mesmo tempo, o queijo continua a oferecer proteínas, que ajudam a saciar.

Quem está atento ao peso ou precisa de moderar a ingestão de gordura por razões de saúde reduz um pouco mais a soma diária a cada porção de gratin. E essa poupança torna-se relevante, sobretudo quando os pratos de forno entram com regularidade no menu.

Naturalmente, a Cancoillotte não substitui uma alimentação equilibrada no seu conjunto. Ainda assim, pode ser uma peça útil para tornar receitas de que se gosta mais fáceis de encaixar no dia-a-dia, em vez de as eliminar por completo.

Resta ver como este queijo vai evoluir por cá: quanto mais pessoas procurarem cozinha leve, mas prática, maior poderá ser a probabilidade de a Cancoillotte aparecer com mais frequência nas prateleiras - e de o queijo clássico de gratinar ganhar concorrência séria no forno.


Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário