A Galeria Municipal do Porto inicia um novo ciclo de exposições que junta duas propostas internacionais focadas na relação entre corpo, espaço e memória.
As inaugurações estão marcadas para as 17 horas deste sábado. As duas exposições têm entrada gratuita e podem ser visitadas até 11 de outubro.
Duas exposições internacionais na Galeria Municipal do Porto
O programa destaca a estreia em Portugal do artista lituano Augustas Serapinas com "Cultura do corpo: edição Porto" e, em paralelo, a apresentação da instalação sonora "Para voz", da artista argelina Lydia Ourahmane.
No caso de Serapinas, "Cultura do corpo: edição Porto", com curadoria de João Laia, assinala a primeira vez que este projeto é concebido de forma específica para o contexto da cidade onde é mostrado.
A obra nasce da experiência do artista na Academia de Arte de Vilnius, onde o ensino artístico assenta numa prática intensiva de desenho de modelo ao vivo e na reprodução de esculturas clássicas. Esse método é colocado em diálogo com a cultura contemporânea do exercício físico.
Esculturas com peso
"Interessa-me muito a forma como o corpo é treinado, disciplinado e repetido, seja na arte, seja no desporto", explica o artista. "Há uma ligação muito forte entre aprender a desenhar e treinar num ginásio: em ambos os casos, o corpo é levado a insistir, a repetir e a melhorar pela prática".
A instalação apresenta-se como um ginásio plenamente operacional. Em vez de pesos e halteres comuns, surgem mais de 60 réplicas de esculturas da coleção do Museu Nacional Soares dos Reis - entre elas, "O desterrado", uma das peças mais reconhecidas do museu do Porto.
O espaço deverá ser ativado tanto por sessões de desenho académico como por treinos físicos, envolvendo visitantes, associações desportivas e outros grupos convidados.
Um ginásio de verdade
"Quis criar um lugar que pudesse ser usado de verdade, não apenas observado", refere Serapinas. "As esculturas deixam de ser objetos intocáveis e passam a fazer parte de uma rotina física".
"Estas esculturas pertencem ao contexto do Porto e isso era muito importante para mim", afirma Augustas Serapinas. "O que se vê é, basicamente, um ginásio totalmente funcional que pode ser ativado pelos visitantes". O artista acrescenta que qualquer pessoa poderá usar os equipamentos, desde que respeite as regras estabelecidas para a instalação.
"Não é suposto ser uma piada. É suposto ser um ginásio a sério", insiste o artista. "As pessoas têm de fazer um circuito completo e respeitar o equipamento, tal como fariam em qualquer ginásio".
"Para voz", de Lydia Ourahmane, no primeiro piso
No primeiro piso da Galeria, Lydia Ourahmane apresenta "Para voz": uma partitura em braille, inscrita diretamente nas paredes, concebida a partir da arquitetura do espaço.
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