Controlar a descida do peso é uma estratégia eficaz para intensificar o estímulo no músculo sem ter de aumentar logo a carga. Este momento do movimento - a fase excêntrica - ocorre quando o músculo se alonga enquanto continua a “segurar” a resistência. Em exercícios como o supino, o agachamento e a rosca de bíceps, é frequente esta parte ser feita depressa demais.
Qual é a diferença entre as fases concêntrica e excêntrica?
A fase concêntrica acontece quando o músculo encurta para ultrapassar a resistência. Numa rosca de bíceps, por exemplo, é o instante em que traz o halter em direcção ao ombro. Já a fase excêntrica é o trajecto inverso: ao estender o braço, o bíceps controla a descida do peso.
Esta separação é fácil de reconhecer em vários movimentos:
- No agachamento, a descida corresponde à fase excêntrica e a subida à concêntrica;
- No supino, baixar a barra até ao peito é a fase excêntrica;
- Na remada, afastar a carga do tronco de forma lenta equivale à descida controlada;
- Na flexão, aproximar o peito do chão alonga os músculos sob tensão.
Por que controlar a descida favorece a hipertrofia?
Durante a fase excêntrica, o músculo consegue aguentar forças elevadas ao mesmo tempo que as fibras se alongam. Esse tipo de estímulo aumenta a tensão mecânica - um dos factores mais associados à hipertrofia - e envolve o tecido muscular de forma distinta da fase em que se levanta a carga.
Como usar uma descida de 2 a 3 segundos?
Ao contar dois a três segundos na volta do movimento, aumenta-se o tempo sob tensão e evita-se que a gravidade faça quase tudo por si. A execução deve ser fluida e controlada, sem paragens exageradas, sem balanços do corpo e sem perder o alinhamento das articulações.
Alguns ajustes simples ajudam a aplicar a técnica com mais segurança:
- Diminua a carga se não conseguir controlar todo o percurso;
- Use uma amplitude que garanta estabilidade e ausência de dor;
- Suba de forma firme e desça contando dois ou três segundos;
- Termine a série quando a postura começar a degradar-se;
- Aumente o peso ou as repetições gradualmente ao longo das semanas.
Mais dano muscular significa necessariamente mais crescimento?
Uma descida lenta pode aumentar as microlesões e a dor muscular tardia, conhecida como DOMS, sobretudo quando a técnica é recente. Esse dano faz parte da resposta ao treino, mas não precisa de ser elevado para haver crescimento muscular; em excesso, pode prejudicar o desempenho nas sessões seguintes.
Recuperação e progressão completam o estímulo excêntrico
A fase excêntrica exige que se tenha atenção ao descanso entre treinos, ao sono e a uma ingestão adequada de proteína e energia. É normal surgir alguma dor ligeira após o treino, mas dor incapacitante, inchaço acentuado ou uma perda de força prolongada sugerem que o volume ou a carga aumentaram depressa demais.
O controlo excêntrico tende a resultar melhor quando é introduzido de forma progressiva, sem transformar todas as séries em repetições extremamente lentas. Baixar o peso em dois ou três segundos, manter uma boa técnica e registar a evolução permite elevar a tensão muscular sem depender apenas de cargas cada vez mais altas.
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