Mercedes-Benz 190 (W 201): o “Baby Benz” que mudou o jogo
Quando o Mercedes-Benz 190 (W 201) foi apresentado, em 1982, assinalou um dos pontos de viragem mais relevantes na história da marca alemã - já abordámos este tema anteriormente, tal como o facto de a BMW estar a conquistar espaço no mercado.
Apelidado de “Baby Benz”, este modelo tornou-se o primeiro Mercedes moderno no segmento das berlinas não executivas, fruto de um investimento superior a dois mil milhões de marcos alemães. Era compacto em dimensões, mas não poupava na qualidade nem na tecnologia.
Entre as novidades, trouxe a sofisticada suspensão traseira multibraços de cinco braços, elevou a fasquia da segurança no seu segmento e permitiu à marca chegar a uma nova geração de clientes. Até 1993, ultrapassou as 1,8 milhões de unidades vendidas e acabou por preparar o caminho para o atual Classe C.
Pyongyang 4.10 (Kaengsaeng 88): a cópia norte-coreana do 190
Com estes argumentos, o regime da Coreia do Norte, sob liderança de Kim Il-sung, entendeu que o Mercedes-Benz 190 devia servir de referência para impulsionar a indústria automóvel norte-coreana. Por “referência”, leia-se copiar… Foi assim que apareceu o Pyongyang 4.10, também conhecido como Kaengsaeng 88, alegadamente montado na Sungri Motor Plant.
Do lado de fora, a inspiração no 190 era difícil de ignorar: proporções muito próximas, uma grelha claramente baseada no original e uma silhueta que, à distância, podia até enganar. Porém, as coincidências praticamente terminavam aí.
Há relatos online que referem um motor de quatro cilindros básico, uma construção pouco robusta, falta de aquecimento ou ar condicionado e um interior mal isolado, no qual o pó da estrada entrava sem grande esforço e fazia companhia aos ocupantes. No conjunto, a execução ficava mais perto de um veículo rudimentar do que daquilo que se espera de um Mercedes.
Um projeto mais político do que industrial (e o contraste com a Coreia do Sul)
Por isso, o alegado sucesso industrial do Pyongyang 4.10 - ou Kaengsaeng 88, como preferirem… - teve sobretudo um caráter panfletário. Tratava-se de um projeto com finalidade política, não de um verdadeiro plano industrial. Produziram-se poucas unidades e mesmo essas acabaram por ficar destinadas à elite do Partido.
Daí que, hoje, não haja conhecimento de exemplares sobreviventes nem dados técnicos fiáveis. Um desfecho que contrasta com o sucesso do plano industrial da Coreia do Sul: o Hyundai Motor Group (Hyundai, Kia, Genesis) é atualmente uma das maiores forças da indústria automóvel mundial. Quão forte? Até ao final da década, o Hyundai Motor Group pretende estar no TOP 3 das vendas na Europa.
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