Quem acredita que, a partir dos 70, o corpo e a mente entram inevitavelmente em declínio está a subestimar - e muito - a própria margem de manobra. A investigação é bastante consistente: pessoas que se mantêm activas, cultivam relações, desafiam o cérebro e tratam bem de si tendem a conservar uma forma surpreendente. As sete propostas abaixo não são um milagre, mas mudam o dia a dia de forma perceptível - mesmo para quem não cresceu com desporto ou com um “estilo de vida saudável”.
Manter-se em movimento de forma suave em vez de desporto de alta competição
Na terceira idade, fazer exercício não tem de ser sinónimo de suor, dor ou sacrifício. O mais importante é a constância, não os recordes. Actividade com baixo impacto ajuda a manter músculos, coração e circulação “acordados”, sem exigir demais do corpo.
“Bastam 20 a 30 minutos de movimento leve por dia para, no sétimo decénio de vida, fazer a diferença entre mobilidade e andarilho.”
De forma geral, os médicos apontam para cerca de 10.000 passos por dia em adultos. Para muitas pessoas de 70 anos, um objectivo realista e eficaz situa-se nos 4.000 a 5.000 passos. Um pedómetro ou um smartwatch simples pode ajudar a perceber melhor qual é o seu nível habitual.
Actividades que costumam resultar melhor
- Caminhar: ritmo vivo, mas confortável; idealmente em passeios asfaltados ou em chão de terra batida/forestal
- Nordic Walking: poupa joelhos e ancas e, ao mesmo tempo, trabalha braços e zona central do corpo
- Natação e hidroginástica: a água sustenta o peso, protege as articulações e permite sessões mais longas
- Aquabike: pedalar dentro de água, disponível em muitas piscinas, muito apreciado por pessoas mais velhas
- Movimento do quotidiano: jardinagem, aspirar, limpar janelas, pequenas reparações - tudo conta
Se for possível, compensa fazer actividades ao ar livre: a luz do dia apoia a produção de vitamina D, benéfica para os ossos e para o sistema imunitário. Até uma volta ao quarteirão, colocada propositadamente na agenda, tende a valer mais do que qualquer lista de “boas intenções”.
Manter o peso sob controlo, sem stress de dietas
Aos 70, oscilações grandes de peso costumam ser mais arriscadas do que aos 30. O excesso de peso sobrecarrega coração, articulações e respiração; o peso a menos enfraquece a massa muscular e as defesas. Um indicador simples para orientar é o Índice de Massa Corporal (IMC).
Fórmula: IMC = peso em kg / (altura em m)²
| Valor de IMC | Classificação |
|---|---|
| under 18,5 | Baixo peso / possível subnutrição |
| 18,5–25 | Intervalo normal |
| 25–30 | Excesso de peso |
| 30–40 | Obesidade |
| 40–50 | Obesidade grave |
| über 50 | Obesidade extrema |
Quem está claramente acima do intervalo normal alivia o corpo a cada tamanho de roupa que perde, desde que seja de forma gradual. Dietas radicais, nesta idade, raramente são boa ideia. Em geral, faz mais sentido:
- aumentar legumes, fruta, cereais integrais, leguminosas
- incluir quantidades moderadas de proteína de qualidade (peixe, ovos, lacticínios, leguminosas)
- reduzir refrigerantes e bebidas açucaradas, doces e produtos ultraprocessados
- manter refeições regulares em vez de petiscar constantemente
Quando o problema é o peso muito baixo, a lógica inverte-se: aumentar a ingestão calórica - por exemplo com um pouco mais de azeite/óleo, frutos secos, queijo ou lacticínios gordos - idealmente depois de falar com o médico de família ou com uma consulta de nutrição.
Treinar o cérebro como se fosse um músculo
Estar “em forma” não é apenas conseguir subir escadas; é também lembrar compromissos, acompanhar conversas e manter a curiosidade. O cérebro responde bem a desafios - e isso não termina com os 70.
“Quem aprende algo novo cria novas ligações entre neurónios - e este efeito não acaba aos 70.”
Ideias para manter a mente activa no dia a dia
- ler todos os dias: jornal, romances, livros de não-ficção - o que der prazer
- desafios de lógica: palavras cruzadas, Sudoku, enigmas
- jogos de tabuleiro e cartas com outras pessoas
- ver filmes ou séries com atenção e depois tentar recontar a história
- ir a concertos, teatro e palestras na sua zona
- apps de treino cognitivo ou jogos simples que trabalhem reacção e memória
Se houver vontade, vale a pena experimentar um tema novo: um instrumento musical, mais uma língua, ou um curso de informática num centro de formação para adultos. Aprender dá pequenas vitórias e reforça a sensação de estar “dentro” da vida - não à margem.
Contactos sociais como escudo contra a solidão
Mesmo o melhor acompanhamento médico sabe a pouco quando a vida emocional está em modo de poupança. A solidão favorece falta de energia, problemas de sono e, em casos extremos, depressão. Uma rede de relações estável funciona como amortecedor.
Mais proximidade no quotidiano pode passar por:
- encontros regulares com vizinhos - por exemplo, um café marcado no prédio ou no jardim
- inscrever-se num clube desportivo, num convívio de seniores ou num coro
- frequentar actividades no centro do bairro, como olaria, dança ou cozinha
- rituais familiares: brunch ao domingo, noites de jogos, encontros de aniversário
Muitas pessoas mais velhas ficam à espera que alguém apareça. Mas quando são elas a telefonar, a propor uma visita ou a sugerir um passeio, muitas vezes descobrem como os mais novos reagem com gratidão - sobretudo quando, entre trabalho e filhos, têm pouco tempo, mas apreciam apoio.
Consultas regulares como rede de segurança
A partir dos 70, aumenta a probabilidade de existirem problemas de saúde que passam despercebidos no início. Hipertensão, diabetes ou alterações do ritmo cardíaco podem demorar a dar sinais, mas ainda assim causar danos.
“Detetar mais cedo significa, na maioria das vezes: tratar de forma mais suave e preservar a qualidade de vida por mais tempo.”
Ter um momento fixo com o médico de família - por exemplo, uma vez por ano para um check-up - ajuda a clarificar. Normalmente, inclui:
- medição de tensão arterial e pulso
- análises (açúcar, colesterol, função renal, consoante o historial)
- verificação do plano vacinal (por exemplo contra gripe, pneumococos, zona)
- rastreios de cancro conforme a idade e o sexo
Se surgirem sintomas novos - falta de ar, fraqueza súbita, perda de peso sem explicação, dores - é preferível não “deixar andar” e marcar consulta. Muitos quadros graves poderiam ser evitados se as pessoas mais velhas fossem avaliadas mais cedo.
Espírito cívico: ajudar os outros para ganhar força
Há reformados que, após o último dia de trabalho, sentem que foram “desligados” da vida activa. Uma forma eficaz de contrariar isso é o voluntariado. Partilhar experiência devolve sentido e reconhecimento.
Possibilidades:
- apoio aos trabalhos de casa ou leitura acompanhada em escolas
- companhia a pessoas em lar ou em cuidados paliativos/hospício
- colaboração em clubes desportivos ou associações culturais
- mentoria a jovens em formação ou à procura de emprego
A dedicação pode ajustar-se à energia de cada um - de uma ou duas horas por mês a vários dias por semana. Muitas organizações formam voluntários e promovem momentos de partilha, o que também abre portas a novas relações.
O prazer não é luxo: é alimento básico
Quando se fala de saúde, é fácil ficar preso a análises e planos de treino. E, no entanto, a alegria de viver é muitas vezes esquecida - apesar do efeito que tem. Quem se diverte, ri, tem objectivos e motivação, tende a mexer-se mais, a comer melhor e a manter-se mentalmente mais desperto.
“Aos 70 pode riscar-se o que só consome energia e abrir espaço para o que dá mesmo prazer.”
Isto pode incluir, por exemplo:
- hobbies deixados para trás: pintar, costurar, modelismo, tocar música
- viagens em formato simples: passeios de um dia, termas, escapadinhas de comboio a cidades
- momentos de desfrute: boa comida, um copo de vinho dentro das recomendações médicas, uma ida ao café preferido
- pequenos projectos pessoais: organizar álbuns de fotografias, escrever a história da família, cuidar do verde na varanda
Como as sete abordagens se reforçam entre si
O interessante é ver como estes hábitos se apoiam mutuamente: quem nada num clube junta actividade física e convivência. Quem experimenta apps de línguas para acompanhar um neto treina também o cérebro. Quem faz voluntariado anda mais, conversa mais e sente-se menos só.
Ninguém precisa de cumprir os sete pontos na perfeição. Um passeio extra por dia, uma noite semanal de jogos ou um check-up anual marcado já trazem mudanças visíveis. No fim, não é a idade no cartão que decide quão bem alguém chega aos 70, mas sim a soma de pequenos passos regulares no quotidiano.
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