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Estudo da Universidade de Sydney liga mudanças na dieta à redução da idade biológica em idosos

Idosa sorridente prepara prato saudável com salmão e legumes numa cozinha iluminada e moderna.

Envelhecer acaba por acontecer a toda a gente - se tivermos sorte -, mas não necessariamente ao mesmo ritmo.

Embora a idade cronológica avance de forma igual para todos, a idade biológica pode diferir consoante fatores como os genes, o ar que respiramos e os alimentos que consumimos.

A alimentação é um dos fatores passíveis de mudança que se associa à capacidade de resistir às exigências do envelhecimento. Pode influenciar a inflamação, o metabolismo, a saúde cardiovascular e outros sistemas que tendem a alterar-se com a idade.

No nível celular, estes efeitos podem fazer com que pareçamos mais novos do que realmente somos.

Um novo estudo sugere que uma alimentação nutritiva pode oferecer este benefício mesmo quando a idade cronológica já é relativamente elevada. Começar cedo poderá ser o ideal, mas os resultados indicam que ajustar a dieta em idades mais avançadas continua a ser uma via eficaz para melhorar rapidamente biomarcadores ligados ao envelhecimento.

"Ainda é cedo para dizer com certeza que mudanças específicas na dieta irão prolongar a sua vida", alerta a primeira autora Caitlin Andrews, cientista de nutrição na Universidade de Sydney, na Austrália.

"Mas esta investigação oferece uma indicação inicial dos potenciais benefícios de alterações alimentares numa fase mais tardia da vida."

Idade cronológica vs. idade biológica

Os cientistas conseguem estimar a idade biológica a partir de perfis de biomarcadores - medidas do funcionamento fisiológico - que podem revelar mais sobre o estado de saúde e a potencial longevidade do que o simples tempo decorrido desde o nascimento.

Nesta nova análise, investigadores da Universidade de Sydney recorreram a dados do estudo Nutrition for Healthy Living (NHL) para avaliar se mudanças alimentares em pessoas mais velhas poderiam influenciar a idade biológica, estimada através do Método de Klemera-Doubal.

O trabalho combinou informação de 20 biomarcadores - incluindo pressão arterial e níveis sanguíneos de insulina, colesterol e proteína C-reativa - para calcular as idades biológicas dos participantes.

Como foi feito o estudo NHL e que dietas foram testadas

Andrews e colegas basearam-se no NHL, um ensaio clínico aleatorizado que investigou, em adultos mais velhos, os efeitos da origem da proteína alimentar e de macronutrientes individuais na saúde.

Para o NHL, a equipa recrutou pessoas com 65 a 75 anos e com um índice de massa corporal entre 20 e 35. Em seguida, os participantes foram distribuídos aleatoriamente por uma de quatro dietas durante quatro semanas, sendo que todas as refeições foram fornecidas aos participantes ao longo do estudo.

Em todas as dietas, 14% da energia provinha de proteína. Duas eram omnívoras (com a proteína dividida de forma equilibrada entre fontes animais e vegetais) e duas eram semi-vegetarianas (nas quais 70% da proteína vinha de fontes vegetais).

Dentro dos grupos omnívoros e semi-vegetarianos, cada participante seguiu ainda um padrão alimentar adicional que complementava a ingestão de proteína, com uma das duas opções:

  • uma dieta rica em gordura e pobre em hidratos de carbono;
  • ou uma dieta pobre em gordura e rica em hidratos de carbono.

Desta combinação resultaram quatro tipos globais de dieta:

  • omnívora rica em gordura (OHF);
  • omnívora rica em hidratos de carbono (OHC);
  • semi-vegetariana rica em gordura (VHF);
  • semi-vegetariana rica em hidratos de carbono (VHC).

O que mudou nos biomarcadores e na idade biológica

Entre as quatro categorias, os investigadores assinalam que a OHF foi a mais parecida com as dietas habituais reportadas pelos participantes antes do início do estudo. Isso poderá ajudar a explicar por que motivo foi também a que menos impactou a idade biológica, não se observando alterações significativas nos biomarcadores relevantes.

Já os outros três padrões alimentares pareceram reduzir a idade biológica dos participantes.

De acordo com o estudo, quem seguiu a dieta OHC apresentou uma redução significativa. Nos grupos VHF e VHC verificaram-se reduções semelhantes, mas nem sempre com significância estatística.

Ainda não é claro se estes efeitos se traduziriam numa proteção duradoura contra a deterioração do estado de saúde.

"São necessárias alterações alimentares a mais longo prazo para avaliar se as mudanças na dieta alteram o risco de doenças relacionadas com a idade", afirma Alistair Senior, ecólogo nutricional na Universidade de Sydney.

Estas conclusões preliminares, animadoras, sublinham o potencial para investigação adicional.

"Investigação futura deverá explorar se estes resultados se estendem a outras coortes", diz Andrews, "e se as mudanças registadas se mantêm ao longo do tempo ou se são preditivas de desfechos a longo prazo".

O estudo foi publicado na revista Aging Cell.

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