À medida que o Dia dos Namorados se aproxima, volta a mesma dúvida: é mesmo preciso comprar algo novo para agradar? Durante anos, o recondicionado esteve quase sempre associado aos smartphones, mas hoje já chegou a objectos bem mais pessoais - incluindo o Dyson Airwrap. A questão é simples: será que esta alternativa é fiável quando falamos de um artigo quase íntimo?
Quando fico sem ideias para oferecer um presente, o meu plano B costuma ser passear pela FNAC. Desta vez, o motivo era o aniversário da minha namorada. Depois de cinco anos de prendas - e com o Natal pelo meio - é inevitável que as propostas verdadeiramente originais comecem a escassear.
Mal entrei na loja, dei logo por ele, em destaque mesmo ao meu lado: um Dyson Airwrap. A fama precede-o, tal como o estatuto quase icónico da marca no universo do cabelo. Lembrei-me imediatamente de várias manhãs em que a minha namorada se irritava com a sua velha prancha, que se desligava sem razão aparente a cada duas utilizações. Depois olhei para o preço. 549 euros. Para um modelador-secador, mesmo sendo um Dyson, é um valor que corta o entusiasmo.
Acabei por não o comprar. Alguns dias depois, quase por acaso, o tema voltou à conversa enquanto bebíamos um copo com uma amiga. "Já viste na Back Market?" A ligação pareceu-me estranha no momento. Na minha cabeça, Back Market era sinónimo de smartphone recondicionado, tablet, AirPods e, no máximo, uma consola ou uma coluna Bluetooth - não propriamente um aparelho de cuidado capilar.
Por curiosidade, fui ao site. E sim, lá estava. O mesmo modelo, um Dyson Airwrap, mas recondicionado na Back Market, aparecia por 379 euros - uma poupança de 170 euros. A partir daí, vieram as perguntas do costume: de onde é que vem? Quem o usou antes? Em que estado chega de facto? E, sobretudo, será sensato comprar recondicionado um produto tão pessoal sem surpresas desagradáveis?
Duas semanas mais tarde, quando chegou o momento de apagar as velas, a minha namorada abriu a prenda e ficou visivelmente contente. Eu, por outro lado, ganhei um pretexto perfeito: o período de devolução de trinta dias seria o verdadeiro teste em ambiente real, enquanto eu analisava com mais atenção estes objectos inesperados que hoje já se encontram na Back Market.
Back Market, muito mais do que um site de smartphones recondicionados
A Back Market nasceu em 2014 com uma missão clara: oferecer uma alternativa credível ao novo no universo da electrónica de consumo. No início, a maior parte das vendas vinha - e continua a vir - das categorias tecnológicas mais óbvias. Smartphones à cabeça, mas também tablets, computadores e auscultadores. E foi por aí que, durante muito tempo, eu fiquei.
Como não sou utilizador assíduo da plataforma, durante anos preferi vasculhar o Le Bon Coin à procura de bons negócios, mesmo sabendo que aí o risco pode ser maior. Foi por isso que me surpreendi quando, ao encomendar o Dyson Airwrap, dei de caras com um site que já parecia um verdadeiro supermercado de tecnologia recondicionada. Smartwatches, acessórios de gaming, barras de som, câmaras fotográficas - perceber que já era possível comprar tudo isto ali deixou-me intrigado, ainda que não completamente chocado.
Onde a mudança se nota mais é, porém, no pequeno electrodoméstico. Hoje, o catálogo da Back Market é bem mais amplo do que eu esperava. Há robots aspiradores, aspiradores verticais, máquinas de café, robots de cozinha, mas também ventoinhas, aparadores de barba, garrafeiras ou até cafeteiras com moinho integrado. São produtos que raramente associamos de imediato ao recondicionado.
E ainda existe a secção "retro", onde aparecem algumas relíquias tecnológicas. Desde a primeira PlayStation a telemóveis antigos como o Sony Ericsson W595. A oferta não é enorme dentro de cada categoria, mas a diversidade impressiona: no mesmo site convivem objectos de culto, produtos do dia-a-dia e equipamentos premium, todos com passagem pelo recondicionamento.
Porque é que o recondicionado já não é exclusivo dos smartphones?
A razão para a Back Market ter hoje um catálogo tão vasto é simples: o recondicionado ganhou espaço nos hábitos de consumo. Em 2025, perto de 47% dos franceses dizem já ter comprado pelo menos um produto recondicionado e, entre os que ainda não o fizeram, 40% afirmam ter interesse.
O smartphone - grande estrela do recondicionado - mostra bem esta transformação. Em França, mais de um em cada cinco telemóveis em uso, ou seja 22%, já é em segunda mão ou recondicionado, quando em 2018 o valor rondava 7%. É uma subida rápida e constante, que ajudou a derrubar parte das reservas iniciais sobre fiabilidade e longevidade.
A tendência também se confirma à escala global. O mercado de aparelhos electrónicos recondicionados está estimado em perto de 58 mil milhões de dólares em 2025 e deverá duplicar até 2032, com um crescimento médio anual de cerca de 10%. Com números destes, percebe-se porque é que o recondicionado se estendeu a tantas outras categorias.
Ainda assim, nem todas as dúvidas desapareceram. Essa barreira psicológica ligada à fiabilidade e à duração foi exactamente a que eu próprio senti quando decidi avançar com o Dyson Airwrap. Na prática, a qualidade do recondicionamento varia muito de actor para actor, e nem tudo o que vem rotulado como "recondicionado" oferece o mesmo nível. É aqui que a escolha da plataforma, do vendedor e do circuito de recondicionamento se torna decisiva.
Recondicionado pela marca ou por um parceiro: em que é que muda?
Ao contrário de actores integrados como o francês Reborn, a Back Market não recondiciona directamente os produtos que vende. Funciona como intermediária e apoia-se numa rede de cerca de 1 500 recondicionadores parceiros, que selecciona e monitoriza. É algo sabido, mas vale a pena dizê-lo de forma explícita.
Por isso, não existe uma única realidade de recondicionado na Back Market: há dois cenários bem distintos, que aparecem claramente nas páginas dos produtos.
No primeiro - o mais tranquilizador do ponto de vista psicológico - alguns artigos são recondicionados pela própria marca, informação que surge explicitamente ao escolher o estado, como acontece com certas referências da Dyson, Shark ou Ninja. Normalmente custam um pouco mais e, sobretudo, esgotam com frequência, o que diz muito sobre a confiança que inspiram. Nestes casos, os aparelhos passam pelos processos internos do fabricante: verificações completas, limpeza profunda e substituição de componentes quando necessário.
O segundo cenário é o mais comum - e foi o do meu Dyson Airwrap. Aqui, o recondicionamento é feito por um parceiro: o aparelho é recebido, desmontado, limpo, testado em todas as funções e recuperado antes de ser classificado por grau de estado. A Back Market impõe regras, garantia e direito de devolução, além de acompanhar taxas de devolução e avaliações dos clientes.
Não é uma garantia absoluta, mas também não é um jogo de sorte. Como em qualquer marketplace - incluindo a Amazon - pode haver um intervalo de tempo até um vendedor pouco sério ser detectado e removido. Acontece, mas é raro. E, quando falamos de um produto recondicionado - ainda mais de um objecto pessoal como um Dyson Airwrap recondicionado na Back Market - perceber quem fez o recondicionamento e por que circuito passou foi um ponto-chave antes de gastar 370 euros.
Dyson Airwrap recondicionado na Back Market: devolve-se ou não?
Quando chegou, a primeira impressão foi excelente e, acima de tudo, tranquilizadora. A limpeza era irrepreensível, o aparelho vinha impecável e não havia qualquer sinal de utilização duvidosa - algo essencial num produto tão pessoal.
No uso diário, também não houve surpresas desagradáveis. O Dyson Airwrap trabalhou sem falhas: sem ruídos estranhos, sem quebras de potência e com a mesma sensação de um equipamento novo. A minha namorada, que já tinha tido um Airwrap há alguns anos, não notou diferença. Até os acessórios estavam perfeitos, completos e em óptimo estado.
Com o passar dos dias, a questão do recondicionado deixou de existir. O aparelho tornou-se apenas mais um objecto do quotidiano, sem rótulo especial. A desconfiança inicial dissipou-se rapidamente. O Airwrap não só cumpriu o que promete, como nunca deu a sensação de ser um produto de segunda mão.
Sem querer fazer disto um manifesto, a experiência serviu sobretudo para reforçar uma ideia. Entre comprar novo sem pensar muito e prolongar a vida de um produto que já existe, por vezes vale a pena parar e ponderar. E isso não se aplica apenas a roupa no Vinted ou a um smartphone. No caso do Dyson Airwrap, o recondicionado da Back Market não soube a compromisso.
No fundo, este tipo de compra também muda a forma como se pensa em presentes. Talvez não para este Dia dos Namorados, que já está demasiado perto, mas quem sabe para o próximo. Enquanto percorria a secção de "Tecnologia Retro" da Back Market, aquela pequena Game Boy Color ficou-me atravessada no olhar - como um lembrete de que um bom presente nem sempre é novo, mas muitas vezes apenas bem escolhido.
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