Ver os primeiros cabelos grisalhos ao espelho costuma ser interpretado como um mau presságio. No entanto, um estudo realizado no Japão veio inverter essa ideia e mostrou que o embranquecimento dos fios pode, afinal, indicar que o organismo está a protegê-lo.
O acidente de laboratório que reescreveu a história dos fios brancos
A conclusão surgiu a partir de uma pergunta bem mais simples. Investigadores da Universidade de Tóquio procuravam perceber de que forma as células estaminais dos melanócitos respondem a danos no DNA provocados pela radiação ultravioleta e pelo stress oxidativo.
O que encontraram apanhou a própria equipa de surpresa. Quando o material genético destas células sofre lesões importantes, elas entram em maturação e acabam por sair do folículo piloso - um fenómeno conhecido como senescência induzida -, deixando para trás um fio sem pigmento.
- Sol sem protecção: a exposição prolongada à radiação ultravioleta acelera o desgaste dos melanócitos.
- Cigarro: o tabagismo diminui a microcirculação sanguínea no couro cabeludo.
- Stress emocional: episódios intensos e prolongados aumentam o desgaste celular no bulbo capilar.
- Falta de vitamina B12: a deficiência deste nutriente está associada ao embranquecimento precoce.
- Problemas da tiroide: alterações hormonais, como o hipotiroidismo, também interferem na cor do cabelo.
Quando o stress do dia a dia aparece primeiro no cabelo
O mecanismo descrito pelos cientistas funciona como uma espécie de “limpeza” celular. Sempre que o DNA de um melanócito acumula erros graves, o corpo opta por eliminar essa célula em vez de permitir que se multiplique com falhas genéticas.
Na prática, isto ajuda a compreender por que razão períodos prolongados de tensão ou noites mal dormidas são, muitas vezes, seguidos do aparecimento de novos fios brancos. O couro cabeludo espelha, de forma bastante literal, aquilo que o organismo está a gerir internamente.
Dá para os fios voltarem à cor original?
A investigação japonesa não descartou a hipótese de reversão. Em determinadas situações, o embranquecimento pode recuar quando a fonte de stress que originou o dano é retirada da rotina.
Reversão é possível
O que a ciência internacional confirma
Investigadores da Universidade Columbia registaram, em 2021, fios que recuperaram a cor original depois de doentes ultrapassarem fases difíceis de stress intenso.
A condição é que os melanócitos se mantenham no folículo. Sem essa preservação, a reversão não ocorre.
Se as células estaminais já tiverem abandonado o folículo, o processo torna-se irreversível. Nesse caso, nenhum tratamento - natural ou farmacológico - devolve a pigmentação perdida naquele fio em particular.
Isto muda a forma de encarar os primeiros fios brancos
Perceber esta lógica ajuda a olhar para os fios brancos com menos alarme. Para quem escolhe assumi-los, a textura mais áspera e a perda de brilho pedem apenas pequenos ajustes na rotina de cuidados.
Champôs matizantes ajudam a neutralizar reflexos amarelados, máscaras com manteigas vegetais repõem a hidratação e leave-ins com filtro UV protegem os fios da exposição solar. Evitar ferramentas de calor acima dos 180 graus também contribui para preservar a fibra capilar.
Até onde a ciência pode chegar na próxima década
Os próximos trabalhos deverão avaliar se é possível incentivar a permanência de melanócitos saudáveis no folículo sem comprometer a protecção contra mutações - um equilíbrio que pode trazer avanços tanto na estética como na prevenção de tumores.
Em última análise, o fio branco conta uma história bem diferente daquela que se imaginava: menos um sinal de desgaste e mais uma evidência de que o corpo continua a cumprir o seu papel de manutenção celular.
Se esta descoberta sobre os cabelos grisalhos o surpreendeu, partilhe com alguém que também se pergunta por que motivo os fios brancos aparecem.
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