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Terra: 9 desportos de resistência, mais de um milhão de sessões: corrida a pé mais intensa

Homem a correr num parque junto a um lago com ciclista e pessoa a repousar ao fundo.

Uma comparação entre 9 desportos de resistência, baseada em mais de um milhão de sessões, coloca a corrida a pé no lugar mais alto quando o tema é intensidade. É difícil encontrar algo mais duro para o coração - e para o resto do corpo.

À pergunta recorrente «qual é o desporto de resistência mais difícil?», a plataforma de dados de saúde e desporto Terra considera ter uma resposta sustentada em números. Depois de analisar dados recolhidos em mais de um milhão de sessões de treino, distribuídas por 9 modalidades diferentes, a corrida a pé ficou no topo da classificação, à frente do ciclismo indoor em rolos (home trainer) e do esqui de fundo.

Análise da Terra: “assinatura cardíaca” e mediana por desporto

Divulgados a 23 de abril de 2026, os resultados foram apresentados sob a forma de um diagrama onde surge a “assinatura cardíaca” de cada modalidade. As ondas representadas correspondem à distribuição da frequência cardíaca (FC) - isto é, o tempo médio passado em cada zona de FC, por sessão. Em comparação com os restantes desportos de resistência, a onda associada à corrida a pé aparece mais deslocada para a direita, sinalizando mais tempo em níveis elevados de FC.

A análise da Terra assinalou também, a tracejado, a mediana de cada desporto, permitindo uma comparação mais fina entre modalidades. Segundo o diagrama, a corrida a pé coloca o corpo, em mediana, numa FC 9 batimentos por minuto (BPM) acima do home trainer e 14 BPM acima do esqui de fundo. A explicação avançada passa por não ser um desporto “portado” e por não existir componente de deslize.

No conjunto das 9 modalidades, é possível agrupar a intensidade em três categorias:

  • Elevada: corrida a pé, home trainer e esqui de fundo.
  • Moderada: ciclismo ao ar livre, natação em águas abertas e esqui de montanha.
  • Baixa: caminhada, esqui alpino e caminhada em trilho (randonnée).

A Terra nota ainda que o home trainer surge acima do ciclismo ao ar livre porque a prática indoor não inclui pausas naturais: na estrada, há momentos em que se deixa de pedalar em descidas ou em que é necessário abrandar devido ao trânsito.

Limitações do estudo e impacto do tipo de sensor

A plataforma Terra reconheceu, no entanto, limitações na leitura dos resultados: «Não dispomos de qualquer informação demográfica (idade, sexo, nível de forma física), o que nos impede de separar esses efeitos dos que estão ligados à escolha do desporto. Também desconhecemos o objectivo do treino (corrida fácil ou sessão de tempo), o que significa que os nossos dados misturam treino estruturado e actividade livre.»

Outra limitação prende-se com o tipo de sensor utilizado para recolher as medições. Os registos analisados provêm, na sua maioria, de sensores ópticos usados no pulso (relógios desportivos), e não de cintas peitorais mais avançadas. Por isso, a precisão pode variar consoante a modalidade - em particular na natação ou no esqui, devido ao movimento dos braços e às condições do ambiente.

Rácios de intensidade diferentes, com um caso particular: a caminhada

Para complementar a análise, a Terra procurou destacar o “rácio” de intensidade de cada desporto, partindo da ideia de que olhar apenas para a FC média pode induzir em erro: quem corre tende, em geral, a ser uma população mais saudável, e não necessariamente o resultado de um esforço intrinsecamente mais exigente. Assim, a plataforma cruzou os dados entre a FC média e a FC máxima por sessão.

A corrida a pé volta a surgir em primeiro, já que a FC máxima por sessão registada é, em média, de 168 BPM, novamente o valor mais elevado observado pela Terra. Face às restantes modalidades, a corrida aparece claramente destacada. No ciclismo, a prática ao ar livre distancia-se do indoor: a média de FC máxima no exterior chega aos 160, enquanto no home trainer fica abaixo de 145 BPM.

A caminhada ocupa o terceiro lugar entre as actividades com maior rácio de intensidade, mas isso explica-se sobretudo por não haver grande variação de intensidade ao longo do esforço: seja numa sessão em terreno plano ou num percurso mais ondulado, a diferença mantém-se relativamente pequena quando comparada com outros desportos. Por isso, aproxima-se naturalmente da caminhada em trilho. O esqui alpino aparece perto, mas por outro motivo: trata-se de um desporto feito por impulsos, em que descidas intensas alternam com subidas em teleférico e períodos em filas, no frio, durante os quais o corpo desce para uma frequência cardíaca bastante baixa.

93 % dos atletas que correm e pedalam treinam mais intensamente quando correm

Para fechar a investigação, a Terra também comparou a intensidade de cada modalidade na mesma pessoa. Assim, para evitar um confronto enviesado entre a forma física de corredores, ciclistas, esquiadores ou caminhantes, a plataforma centrou-se em 2 808 praticantes «que tinham registado pelo menos cinco sessões em, pelo menos, duas modalidades». Para criar uma métrica comparável, o estudo seguiu este método:

«Para cada pessoa, utilizámos a sua frequência cardíaca máxima registada como frequência cardíaca máxima pessoal e, depois, expressámos a frequência cardíaca média de cada sessão como percentagem desse valor máximo», explica a Terra.

Num novo diagrama com os resultados, observa-se que as mesmas pessoas que correm com uma intensidade mediana de 78 % da sua frequência cardíaca máxima pessoal pedalam ao ar livre a apenas 67 % e caminham a 52 %. A análise mostra ainda que, entre 1 480 utilizadores que praticam tanto corrida a pé como ciclismo ao ar livre, 93 % apresentam uma intensidade relativa mais elevada a correr.

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