Muita gente, antes da Páscoa, pega em chocolate barato do discount - mas uma marca da Lidl está a dar que falar por ter uma lista de ingredientes muito curta.
Com a Páscoa quase a chegar, as prateleiras enchem-se de ovos, coelhos e figuras de chocolate. Para muitas famílias, o preço pesa na decisão e a escolha acaba rapidamente na Lidl. No TikTok, um criador lançou a discussão: digitalizou chocolates de Páscoa da Lidl com a aplicação Yuka e apontou uma referência que, ao que parece, dispensa aditivos. Parece ideal - mas há um “porém”.
O que está por trás da marca de chocolate “limpa” na Lidl
Todos os anos, a Lidl coloca a sua gama sazonal de Páscoa nas lojas a partir de março. Sob o nome Favorina, aparecem nos cestos coelhos, galinhas, ovos e sinos de chocolate em vários tamanhos - normalmente a preços mais baixos do que os produtos de marca na secção habitual de doces.
O criador do TikTok “MrTrouve” analisou alguns produtos Favorina com a app Yuka. O que mais chamou a atenção foi um ovo de chocolate recheado que custa, em loja, cerca de 4,49 euros por 130 gramas. A lista de ingredientes é surpreendentemente curta:
- massa de cacau
- manteiga de cacau
- açúcar
- em alguns casos, baunilha
Ingredientes poucos e simples, sem aditivos, agradam a muitas pessoas - sobretudo quando comparados com listas longas cheias de números “E”.
Segundo a Yuka, este ovo é classificado como sem aditivos. Para quem tenta evitar aromas artificiais, corantes ou conservantes, a proposta soa logo mais apelativa.
Sem aditivos - mas com açúcar em excesso
Ainda assim, isto não transforma o chocolate numa opção “saudável”. Basta olhar para os valores nutricionais: os ovos e figuras desta linha trazem cerca de 50 gramas de açúcar por 100 gramas de chocolate. Ou seja, estão dentro do patamar comum de muitas outras barras de chocolate de leite pensadas para crianças.
Por isso, a Yuka atribui a este produto uma pontuação de apenas 30 de 100 pontos. A lógica é simples: mesmo sem aditivos, a percentagem elevada de açúcar piora claramente o perfil do ponto de vista da saúde. A galinha de chocolate da mesma gama apresenta valores nutricionais muito semelhantes.
Há ainda outro ponto importante: nem tudo o que é Favorina é, por definição, livre de aditivos. A organização de defesa do consumidor Foodwatch já criticou, no passado, a presença de aditivos noutros artigos sazonais da marca. Além disso, um estudo realizado na Suíça detetou também vários aditivos em determinados coelhos de chocolate de leite. Quem compra Favorina não deve, portanto, confiar apenas no nome da marca.
Como funciona a app Yuka - e quais são as suas limitações
Hoje em dia, muitas pessoas já apontam o telemóvel ao código de barras antes mesmo de colocar o produto no carrinho. A aplicação Yuka avalia alimentos e cosméticos com base nos ingredientes e na informação nutricional. Barras coloridas e uma pontuação servem para indicar rapidamente se algo parece mais recomendável ou mais problemático.
Os critérios mais relevantes para alimentos são:
- teor de açúcar, sal e gordura
- proporção de ácidos gordos saturados
- presença de determinados aditivos
- eventuais certificações biológicas
Mesmo assim, uma boa nota não significa que se possa comer esse produto sem limites. Da mesma forma, uma nota baixa não faz de um alimento uma “bomba tóxica”. A Yuka funciona sobretudo como guia no linear - não substitui a leitura da tabela nutricional nem a verificação da lista de ingredientes.
Como escolher melhor chocolate de Páscoa no supermercado
Se vai fazer compras para a Páscoa e quer decidir com mais critério do que apenas o preço, há regras simples que ajudam a optar por alternativas melhores.
Prestar atenção à percentagem de cacau
A percentagem de cacau é um indicador central. Em regra, quanto mais cacau, menos açúcar tende a ser necessário - porque o fabricante não precisa de “mascarar” o sabor com tanta doçura. No caso do chocolate negro:
- a partir de cerca de 50% de cacau: sabor bem mais intenso do que o chocolate de leite e visivelmente menos açúcar
- a partir de cerca de 70% de cacau: mais indicado para consumo consciente, não é o típico chocolate infantil
Já o chocolate de Páscoa direcionado para crianças fica, na maioria das vezes, muito abaixo destes valores e, por isso, inclui mais açúcar e frequentemente mais leite em pó.
Lista de ingredientes curta e com termos claros
Um sinal rápido de qualidade: ingredientes poucos, fáceis de identificar e sem linguagem demasiado técnica. O ideal é que a base seja essencialmente:
- massa de cacau ou cacau em pó
- manteiga de cacau
- açúcar
- opcionalmente, leite em pó e baunilha
Se no rótulo surgirem muitos termos técnicos, corantes ou aromas, pode simplesmente deixar o produto de lado. Também ajuda olhar para a ordem: o que aparece primeiro é o que existe em maior quantidade - se o açúcar vem em primeiro lugar, é um aviso pouco positivo.
Quanta Páscoa “doce” ainda é aceitável
A Organização Mundial da Saúde recomenda que adultos não ultrapassem, por dia, cerca de 25 gramas de açúcar livre. Para crianças, o valor de referência é ainda mais baixo. A tabela nutricional mostra rapidamente como se chega a este limite.
Um exemplo:
- 100 g do chocolate de Páscoa referido: cerca de 50 g de açúcar
- um ovo médio com 30 g: já perto de 15 g de açúcar
Isto significa que, ao comer três ovos destes num único dia, já se ultrapassa claramente a recomendação - sem sequer contar outras fontes de açúcar, como sumo, barras de cereais ou iogurtes açucarados.
Comer menos vezes, mas com mais intenção: esta abordagem protege dentes, peso e glicemia - sem tirar a graça à Páscoa.
Dicas para pais: como manter o cesto de Páscoa apelativo
Muitos pais querem oferecer algo aos filhos na Páscoa sem os “banhar” em açúcar. Uma forma eficaz é não encher o cesto só com chocolate. Alternativas populares incluem:
- pequenos brinquedos ou kits de trabalhos manuais
- livros ou blocos de desenho
- autocolantes, corda de saltar, giz para brincar na rua
- algumas figuras de chocolate de melhor qualidade em vez de uma “tropa” de coelhos baratos
Se houver regras combinadas para os doces - por exemplo, uma a duas figuras por dia e não tudo de uma vez - evita-se frustração e dores de barriga. Assim, a Páscoa continua a saber bem, sem que as crianças sintam que ficam a perder.
O que significa realmente “sem aditivos”
A frase “sem aditivos” é apelativa, mas gera frequentemente confusão. Na prática, costuma querer dizer apenas que o fabricante não usa aditivos que têm de ser declarados - como certos corantes, conservantes ou emulsionantes. Açúcar, gorduras ou sal não entram nessa categoria, mesmo quando aparecem em quantidades muito elevadas.
Para tirar benefícios do ponto de vista da saúde, convém avaliar vários pontos em simultâneo:
- açúcar por 100 g e por porção
- quantidade de ácidos gordos saturados
- percentagem de cacau e presença de ingredientes típicos de chocolate de leite
- extensão e clareza da lista de ingredientes
Dentro destes critérios, um produto Favorina sem aditivos pode sair melhor do que muitos concorrentes mais “coloridos”, mas continua a ser um doce. Não é algo indicado para o dia a dia, mesmo que a composição pareça mais “arrumada”.
Como aplicar o consumo consciente no dia a dia
Se, à volta da Páscoa, quer ter mais atenção à alimentação, não precisa de cortar totalmente no chocolate. O que ajuda são rotinas simples: associar o chocolate a um momento específico - por exemplo, depois do almoço - e evitar petiscar constantemente ao longo do dia. Um copo de água ou chá sem açúcar pode travar a vontade de ir logo buscar a figura seguinte.
No quotidiano, também pode optar mais vezes por chocolate negro com maior percentagem de cacau e tratar os produtos sazonais mais doces - como os ovos de Páscoa da Lidl - como uma exceção ocasional. Assim, o chocolate mantém-se especial e a taça de doces vai durando mais tempo, sem que ninguém sinta que tem de abdicar de tudo.
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