Enquanto muitos apicultores assistem, impotentes, ao enfraquecimento das suas colónias de abelhas devido a vespas agressivas vindas do Extremo Oriente, um profissional do sector decidiu fazer diferente. Em vez de se limitar a reagir, recorre a tecnologia digna de filmes de espionagem para localizar os ninhos dos invasores - e eliminar colónias inteiras antes de estas se multiplicarem de forma explosiva.
Porque é que a vespa asiática se torna uma armadilha mortal para as abelhas
A vespa asiática é considerada uma espécie invasora na Europa. Quase não tem predadores naturais e adapta-se com enorme rapidez a novos territórios. Para as abelhas melíferas, tornou-se uma ameaça séria, sobretudo na Europa Ocidental e Central.
O que a torna particularmente perigosa é a forma como caça: mantém-se em voo estacionário mesmo à frente das colmeias. Ali, espera pelas obreiras que regressam, apanha-as no ar e mata-as com algumas mordidelas. Depois, leva para o ninho das larvas o tórax, rico em proteínas, e deixa cair o resto.
"Ständiger Angriffsdruck durch Hornissen blockiert den normalen Flugverkehr am Bienenstock – das kann ein ganzes Volk in die Knie zwingen."
Com esta vigilância constante junto à entrada, muitas abelhas acabam por evitar sair da colmeia. Daí resultam:
- menos voos às flores
- recolha muito mais baixa de néctar e pólen
- colónia mais fraca no final da época
- reservas insuficientes para o outono e o inverno
No fim do verão, período em que as vespas estão especialmente activas, as colónias entram facilmente numa espiral descendente perigosa - e muitas deixam de conseguir sobreviver ao inverno.
Um apicultor responde com um truque de “espionagem” vindo da tecnologia
No departamento de Haut-Rhin, na Alsácia, o apicultor Mathieu Diffort decidiu não aceitar que, ano após ano, as suas colónias fossem dizimadas por vespas. Em vez de depender apenas de armadilhas, apostou numa combinação de electrónica, técnicas de localização e imagem térmica.
O ponto central do processo é simples e engenhoso: captura uma vespa asiática viva nas proximidades dos apiários, seda-a brevemente com gás e fixa-lhe uma minúscula “pílula” emissora de rádio. A abordagem faz lembrar a investigação com fauna selvagem - mas em versão microscópica.
O emissor gera um sinal de áudio que Diffort capta com uma antena direccional especial, conhecida como antena de vara (ou antena tipo “rake”). Em seguida, liga o equipamento ao smartphone, que lhe indica a direcção para onde o insecto marcado se desloca.
"Aus dem Jäger wird der Gejagte: Die Hornisse fliegt ahnungslos heim – und der Imker folgt ihr direkt ins Herz des Nests."
Assim que a vespa recupera a capacidade de voo, ele solta-a. A partir daí, inicia a perseguição com a antena e o telefone, seguindo o sinal, passo a passo, até se aproximar do esconderijo.
Câmara térmica revela o ninho no meio da vegetação
Muitas vezes, os primeiros ninhos de vespa asiática ficam muito bem disfarçados em arbustos, cantos de edifícios ou folhagem densa. Para os detectar no terreno, Diffort recorre ainda a uns binóculos de imagem térmica. Como os insectos se concentram no interior do ninho, geram uma fonte de calor facilmente identificável.
Quando encontra a estrutura, assinala o local, informa as entidades competentes quando necessário e, depois, destrói o ninho de forma controlada. O objectivo é travar a expansão da população na região.
Porque é que o “primeiro ninho” é tão determinante
Ao longo do ano, a vespa asiática constrói vários ninhos. O mais sensível é o primeiro, chamado ninho primário. Surge na primavera e é fundado por uma única rainha que conseguiu sobreviver ao inverno.
| Tipo de ninho | Período | Importância |
|---|---|---|
| Ninho primário | Primavera | Ponto de arranque da colónia, origem de todas as rainhas seguintes |
| Ninho secundário | Verão/Outono | Muito maior, pode alojar dezenas de milhares de indivíduos |
É a partir desta primeira construção que, mais tarde, aparecem as jovens rainhas, que no fim do verão e no outono vão criar ninhos novos e muito maiores. Se o ninho primário for neutralizado a tempo, é como retirar o motor a todo o sistema.
"Jedes früh vernichtete Primärnest verhindert im Folgejahr eine regelrechte Hornissenfabrik mit Zehntausenden Nachkommen."
Os apicultores que conseguem eliminar estes ninhos cedo não protegem apenas os seus apiários: ajudam também a defender uma área inteira em redor. Quando a população não chega a disparar, diminuem de forma clara os ataques a abelhas e a outros insectos.
Até que ponto a vespa asiática altera o ambiente
O risco não se limita às abelhas melíferas. A vespa asiática caça igualmente abelhas selvagens, abelhões e outros polinizadores. Em zonas com elevada densidade desta espécie, há ecossistemas que podem desequilibrar-se, porque menos insectos visitam as flores.
Na agricultura e na fruticultura, as consequências são imediatas. Menos polinizadores traduz-se em colheitas mais baixas de fruta, bagas e muitos tipos de hortícolas. Por isso, o controlo desta espécie invasora é um desafio que vai muito além da apicultura.
Limites e riscos da caça “high-tech”
Por mais impressionante que pareça, o método de Diffort não é uma solução universal. O equipamento tem custos, exige prática e implica tempo no terreno. Além disso, um emissor de rádio costuma ter alcance limitado, e a presença de construções densas ou encostas pode degradar o sinal.
Há ainda outro ponto: antes de marcar o insecto, ele é sedado. Quem adopta esta técnica precisa de saber manusear gases e de conhecer bem a tolerância do animal. Para apicultores amadores sem formação adicional, este caminho dificilmente é adequado.
- elevado esforço técnico
- tempo necessário para captura, marcação e seguimento
- questões legais na destruição de ninhos em propriedades alheias
- não resolve casos de ninhos secundários já grandes e situados a grande altura
O que os apicultores podem fazer no dia a dia contra a vespa asiática
Para lá da abordagem tecnológica, existem medidas práticas que ajudam a reforçar as colónias:
- grelhas de protecção nas entradas, permitindo a passagem das abelhas mas dificultando a acção das vespas
- armadilhas específicas para vespa asiática, concebidas para poupar, tanto quanto possível, outros insectos
- escolha de locais de instalação que reduzam áreas de ataque directo em frente às entradas
- colaboração estreita com autarquias e empresas de controlo de pragas, para reportar ninhos na zona
Também é essencial vigiar regularmente o entorno, sobretudo na primavera. Os ninhos pequenos e recentes são muito mais fáceis de remover do que as estruturas grandes, em forma de bola, instaladas nas copas das árvores.
Porque é que esta luta diz respeito a toda a sociedade
Quem aprecia mel, consome fruta ou simplesmente gosta de passear numa paisagem florida depende, mesmo sem o notar, do trabalho dos apicultores e das suas abelhas. Uma quebra acentuada dos polinizadores acaba por afectar o quotidiano - desde a variedade nas prateleiras do supermercado até ao aspecto dos nossos jardins.
A vespa asiática ilustra como espécies introduzidas podem colocar regiões inteiras sob pressão. Quanto mais cedo forem identificadas, mapeadas e combatidas, menores tendem a ser os custos e os danos. Ideias tecnológicas como as de Mathieu Diffort podem ser importantes - não como substituto, mas como uma ferramenta eficaz dentro de um conjunto mais amplo de medidas.
Para os próximos anos, especialistas antecipam uma expansão adicional da vespa asiática para norte e para leste. Por isso, será cada vez mais determinante que apicultores, autoridades e cidadãos estejam atentos, comuniquem ninhos suspeitos e avaliem novas abordagens sem preconceitos. No fim, cada colónia de abelhas preservada reforça também a nossa própria segurança alimentar.
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