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Gases ao andar: causas e o que fazer

Pessoa a andar num parque com mochila e garrafa de água, perto de banco com marmita aberta.

Ainda está sentado(a) calmamente à secretária e parece estar tudo normal. Mas, assim que se levanta e começa a andar, a barriga “apita”: borborigmos, sensação de pressão e, por vezes, um pum que sai sem aviso. Pode ser embaraçoso, mas também pode dar pistas úteis sobre a digestão, a alimentação e a saúde.

Porque é que ao andar sai de repente mais ar

A flatulência não é nada de raro - é completamente normal. O intestino produz diariamente uma grande quantidade de gases: uma parte é eliminada pela boca e o restante sai pelo ânus. A situação torna-se mais evidente quando o incómodo se manifesta sobretudo durante a marcha.

Ao caminhar, toda a zona abdominal entra em movimento. O intestino e os músculos abdominais oscilam, e a gravidade puxa adicionalmente pelas ansas intestinais. O ar que estava “preso” consegue avançar um pouco - até encontrar a saída.

"O movimento funciona como uma massagem suave para o intestino e empurra o ar acumulado em direcção à saída."

Além disso, entram em jogo mais dois factores:

  • Alteração da pressão no abdómen: cada passada modifica ligeiramente a pressão na cavidade abdominal. Isto pode actuar como um êmbolo, empurrando o gás para baixo.
  • Motilidade intestinal mais activa: mesmo uma caminhada a bom ritmo estimula um pouco a actividade intestinal. O intestino desloca o conteúdo - e com ele o ar - mais depressa.

Ou seja: os gases ao andar, muitas vezes, não são um problema novo; é apenas o momento em que o gás já existente encontra uma forma mais fácil de ser libertado.

Causas típicas de excesso de gases intestinais

A questão central é outra: porque é que se forma tanto gás ao ponto de se notar ao caminhar? Existem vários desencadeantes, muitas vezes em conjunto.

Alimentação: o que “fermenta” mais no intestino

Muitos alimentos são decompostos no cólon por bactérias, e esse processo produz gases. Algumas pessoas são simplesmente mais sensíveis do que outras.

Entre os alimentos que tendem a formar mais gases, contam-se, por exemplo:

  • leguminosas como feijão, lentilhas e grão-de-bico
  • couves como couve-branca, couve-de-bruxelas e brócolos
  • cebola, alho e alho-francês
  • produtos integrais e dietas muito ricas em fibra
  • frutose de sumos de fruta, fruta desidratada e refrigerantes
  • álcoois de açúcar como sorbitol e xilitol (presentes em pastilhas elásticas e rebuçados “sem açúcar”)

Quem consome estes alimentos com frequência e em grandes quantidades acumula rapidamente uma espécie de “reserva de gás” no intestino. Ao andar, essa reserva descarrega-se de forma mais perceptível - visível e audível.

Engolir ar: um fornecedor de gás muitas vezes inconsciente

Uma parte do ar no intestino nem sequer resulta da digestão - vem da boca. Muitas pessoas engolem ar sem se aperceberem, sobretudo quando:

  • comem ou bebem muito depressa
  • mastigam pastilha elástica com frequência
  • bebem muito com palhinha
  • falam com gestos intensos e inspiram profundamente
  • estão sob stress e respiram de forma “apressada”

Esse ar passa do estômago para o intestino. Ao caminhar, o movimento dá o impulso e o excesso de ar torna-se mais evidente.

Bactérias no intestino: quando o equilíbrio se altera

No cólon vivem milhares de milhões de bactérias - o microbioma intestinal. Ajuda na digestão, produz vitaminas e treina o sistema imunitário. Quando esse equilíbrio se desregula, a produção de gases pode mudar de forma marcada.

Entre os desencadeantes típicos estão:

  • tratamentos com antibióticos
  • mudanças bruscas na alimentação (por exemplo, dietas radicais)
  • períodos prolongados com uma dieta muito pouco variada

Alguns microrganismos geram particularmente muito gás. Se passam a predominar no intestino, surgem gases que se libertam sobretudo com o movimento.

Quando os gases ao andar são inofensivos

Em muitos casos, trata-se sobretudo de um problema de conforto. Se, de resto, está saudável, geralmente não há motivo para alarmismo quando se verificam estes pontos:

  • Os gases aparecem principalmente após refeições muito abundantes ou muito ricas em fibra.
  • Sentado(a), o abdómen fica um pouco distendido; a caminhar, o ar “sai” e a pressão diminui.
  • Não há dor abdominal intensa, nem febre, nem sangue nas fezes.
  • O peso mantém-se estável.

Muitas pessoas referem que, depois de longos períodos sentadas - no escritório ou no carro, por exemplo - ao levantar-se pela primeira vez sai especialmente muito ar. É desconfortável, mas também alivia o intestino.

Sinais de alarme: quando procurar um médico

Apesar de embaraçosos, os gases podem, em situações limite, ser um sinal importante. Por vezes, apontam para doenças sérias. O que pesa na decisão são os sintomas associados.

Sinal de alarme Possível significado
Dor abdominal forte, em cólicas Síndrome do intestino irritável, inflamações, raramente obstrução intestinal
Sangue nas fezes Hemorróidas, inflamações, pólipos, tumores
Perda de peso inexplicada Doenças intestinais crónicas, doenças tumorais
Diarreia persistente ou obstipação Síndrome do intestino irritável, doenças inflamatórias crónicas do intestino
Febre, cansaço, suores nocturnos Infecções ou processos inflamatórios

Se estes sintomas surgirem juntamente com gases ao andar, é aconselhável fazer avaliação médica. A partir de cerca dos 50 anos, aumentam os riscos de doenças intestinais mais graves, como pólipos ou cancro do cólon.

Diagnósticos frequentes por trás de gases intensos

Nem todas as explicações são dramáticas. Muitas vezes, o que está em causa são alterações funcionais ou problemas com boa resposta ao tratamento.

Síndrome do intestino irritável

A síndrome do intestino irritável é uma das causas mais comuns de gases persistentes e desconforto abdominal. O intestino reage de forma muito sensível ao stress, a determinados alimentos e a variações hormonais.

Muitas pessoas descrevem:

  • sensação frequente de enfartamento
  • pressão na parte inferior do abdómen
  • alterações do trânsito intestinal (ora diarreia, ora obstipação)
  • aumento de gases com a actividade física

Ao caminhar ou subir escadas, a parede intestinal sensível é estimulada com mais intensidade. O intestino acelera o esvaziamento, o ar escapa - e muitas vezes de forma claramente audível.

Intolerâncias alimentares

Intolerância à lactose, má absorção de frutose ou sensibilidade a certos tipos de açúcares (FODMAPs) podem fazer com que hidratos de carbono cheguem não digeridos ao cólon. Aí, as bactérias “atacam” esses açúcares e produzem gases.

Nesses casos, é habitual notar:

  • barriga inchada após determinados alimentos
  • borborigmos no abdómen, frequentemente associados a diarreia
  • maior libertação de gases ao andar, algumas horas depois da refeição

Um diário alimentar, testes respiratórios e ensaios dietéticos dirigidos ajudam muitas vezes a esclarecer com precisão o que está por trás do problema.

O que pode fazer para reduzir gases embaraçosos ao andar

Quem sofre de libertação frequente de gases ao caminhar não tem de se resignar. Pequenas mudanças no dia a dia costumam trazer alívio perceptível.

Comer mais devagar, respirar com mais calma

Ao engolir menos ar, produz-se automaticamente menos gás no intestino. Pode conseguir isso com medidas simples:

  • Fazer as refeições com tranquilidade, sem comer ao mesmo tempo que trabalha no portátil ou no telemóvel.
  • Mastigar bem cada garfada e pousar os talheres por instantes entre bocados.
  • Evitar beber com palhinha; preferir o copo.
  • Não prolongar períodos longos a mastigar pastilha elástica.

Se tende a respirar de forma acelerada devido ao stress, pode contrariar com pequenas pausas: durante um minuto, inspirar devagar pelo nariz e expirar pela boca, relaxando os ombros.

Testar gradualmente os alimentos que provocam gases

Em vez de eliminar grupos alimentares “à sorte”, é mais útil seguir um método:

  1. Manter um diário alimentar durante uma semana.
  2. Registar quando os gases e os ruídos ao andar são mais intensos.
  3. Reduzir os alimentos suspeitos durante duas semanas e observar o efeito.
  4. Reintroduzir aos poucos para perceber a tolerância individual.

Muitas pessoas toleram bem pequenas porções de leguminosas, mas têm problemas quando comem grandes quantidades. Também é possível habituar o corpo à fibra de forma gradual.

Usar o movimento a seu favor

Um ponto curioso: a mesma coisa que torna os gases mais “visíveis” - o movimento - pode ajudar a reduzi-los a longo prazo. Caminhar com regularidade, andar de bicicleta ou fazer jogging leve tende a estabilizar a motilidade intestinal.

Quem já sabe que, após o almoço, a barriga fica carregada de ar pode planear uma pequena volta ao ar livre. Assim, parte dos gases sai antes de voltar a sentar-se numa reunião.

Quando sintomas com vergonha trazem pistas valiosas

Os problemas digestivos continuam a ser um tema tabu. Muitas pessoas nem sequer comentam com amigos próximos que, ao andar, precisam de soltar gases com frequência. No entanto, estes sinais podem revelar muito sobre a digestão, os hábitos alimentares e o nível de stress.

Do ponto de vista médico, a flatulência, por si só, não é um defeito: é um indicador de que o intestino está a funcionar. O que importa é perceber se a quantidade de gás se torna excessiva, se aparece dor ou se o quotidiano fica seriamente afectado.

Quando reconhece os seus padrões - por exemplo, “com lacticínios piora” ou “com stress no trabalho o intestino descontrola-se” - torna-se mais fácil agir. E, muitas vezes, dá para reduzir bastante as situações desagradáveis em público.

Também pode valer a pena falar abertamente com o(a) médico(a) de família, mesmo que o problema seja “apenas” embaraçoso e não doloroso. Muitas vezes, bastam ajustes alimentares direcionados, probióticos ou alterações simples de comportamento para acalmar o intestino.


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